CA M PA N H A D E C O N S C I E N T I Z AÇ Ã O & E N S A I O E M P S I C O L O G I A ENTRE PARECER BEM E ESTAR BEM: O SOFRIMENTO SILENCIOSO DE LAURA EM A IMITAÇÃO DA ROSA 

Autoras: Lea Rocha Toledo Lopes, Lara Melgaço, Thalita Lande, Taisa Toniolli, Claudia Horrana, Eduarda Silva

 INSTITUIÇÃO Centro Universitário de Goiás - UniGoiás CURSO / PERÍODO Psicologia - 3º período DISCIPLINA & DOCENTE Interconexões em Psicologia II • Profª Dra. Mairy Soares Ribeiro CONTATO INSTITUCIONAL

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 Quantas vezes encontramos alguém que diz estar bem, sorri, trabalha, cuida da família e continua realizando suas atividades, mas não sabemos o que essa pessoa realmente está sentindo? Foi justamente essa questão que mais chamou nossa atenção ao conhecer a história de Laura, personagem do conto A Imitação da Rosa, de Clarice Lispector. A narrativa apresenta uma mulher casada que tenta retomar sua rotina após passar por um período de sofrimento psicológico. Laura procura manter a casa organizada, seguir as recomendações médicas e voltar a participar dos compromissos sociais ao lado do marido. Entretanto, percebemos que, por trás dessa tentativa de normalidade, existe uma mulher preocupada com a maneira como será vista pelas pessoas. O que mais nos inquietou foi perceber que Laura parecia precisar demonstrar constantemente que estava bem. Isso nos fez refletir sobre como, muitas vezes, confundimos a capacidade de cumprir responsabilidades com o verdadeiro bem- estar emocional. Nossa reflexão parte da ideia de que o esforço de Laura para demonstrar sua recuperação revela como as expectativas sociais e o medo de preocupar os outros podem influenciar o comportamento de uma pessoa. Acreditamos que compreender seu sofrimento exige olhar além das aparências, considerando suas emoções, sua história de vida e o ambiente em que está inserida. Logo no início do conto, Laura se preocupa em deixar tudo preparado antes da chegada de Armando, seu marido. Ela organiza a casa, planeja o horário de se vestir e pensa no jantar que terá com Carlota e João. Esses acontecimentos parecem simples, mas ganharam outro significado para nós quando percebemos o quanto ela precisava que tudo acontecesse corretamente. Uma passagem que consideramos importante é quando a narrativa apresenta Laura novamente como alguém que estava "bem". As aspas utilizadas por Clarice Lispector nos fizeram questionar o significado dessa palavra. Será que Laura realmente se sentia recuperada ou estava tentando convencer a si mesma e às outras pessoas? Na Análise do Comportamento, aprendemos que nossas ações precisam ser compreendidas considerando o ambiente e as consequências que produzem. Moreira e Medeiros (2019) explicam a importância das relações entre antecedentes, respostas e consequências para a compreensão do comportamento. UniGoiás • Psicologia e Literatura Página 1 de 3

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